#4_48 Escravos ou livres?

Mas o que diz a Escritura? Ela diz: “Mande embora a escrava e seu filho, porque de modo nenhum o filho da escrava será herdeiro com o filho da mulher livre.” Portanto, irmãos, somos filhos não da escrava, mas da livre.
Gálatas 4:30‭-‬31 NAA
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Paulo usa a alegoria entre Agar e Sara, duas das mulheres que deram filhos a Abraão. O primeiro filho, Ismael, nasceu de Ágar, porquanto Sara era estéril e usou a sua escrava para obter um filho de seu marido Abraão. O que hoje conhecemos como um tipo de “barriga de aluguel”. Ou seja, nasceu da vontade de Sara em dar um filho ao seu esposo, a partir de uma escrava.

O segundo foi Isaque, nascido mais de uma década depois, com Sara e Abraão já muito velhos, um filho dado por Deus de maneira sobrenatural, o filho da promessa. Este é o filho espiritual e nasceu da vontade de Deus para com Abrahão e Sara, que pôde dar a luz por ela mesma a partir da graça de Deus.

Paulo usa a alegoria mostrando duas visões distintas, a que predomina pelo esforço humano para se conquistar e a que provém da vontade de Deus sem que possamos fazê-lo por nós mesmos. A primeira visão é atrelada à salvação pelas obras da lei e a segunda pela obra redentora de Deus. A primeira gera escravidão ao próprio desejo da carne enquanto a segunda é liberdade.

Agar, a escrava, é a Jerusalém física que ainda confia nas obras para a salvação, enquanto Sara, a Jerusalém celestial, confia na salvação pela graça redentora em Cristo! Portanto, o cristão confia na salvação dada por Cristo na cruz e não em obras. Confia que foi justificado por Deus sem merecer e, por gratidão, exerce as obras em liberdade, não mais por escravidão.

Paulo faz um grave alerta aos que não confiam que Cristo é suficiente para nos salvar, que o lugar deles é fora do arraial de Jesus Cristo. Não herdarão o reino aqueles que não crêm em Cristo como único e suficiente salvador. Serão mandados embora como a escrava e seu filho, não pertencem a aliança no sangue de Jesus. Não são herdeiros com Cristo e, portanto, não são irmãos. Nem podem se chamar de cristãos, pois Jesus nada lhes é senão alguém pregado em uma cruz a sofrer eternamente.

Cristo é poderoso, é O descendente que foi prometido e agora está à destra de Deus, preparando lugar para sua igreja. Então, somos escravos ou livres? Enganados pela ideia de que temos de fazer algo para sermos e nos mantermos salvos estando em cativeiro por não conseguirmos ou somos livres porque Cristo nos libertou e obedecemos com alegria porque nos agradamos em viver para Deus?

Se, pois, o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres.
João 8:36 NAA
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#4_46 A Escritura aponta para Cristo!

No último dia, o grande dia da festa, Jesus se levantou e disse em voz alta: — Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.
João 7:37‭-‬38 NAA
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A Escritura mencionada por Jesus eram os livros da religião judaica, conhecido pelos cristãos como grande parte do Velho Testamento. Durante sua pregação Jesus apontou para as profecias como a preparação para a sua vinda. Como palavras registradas desde Moisés a respeito da origem da humanidade (Genesis), a saída do Egito (Êxodo) e demais livros sobre os anos de deserto, conquista de Canaã e transição para o tempo dos reis, até os profetas de antes do cativeiro nos anos de reino dividido, cativeiro, regresso e restabelecimento do povo judeu.

Quatrocentos anos antes de Cristo houve silêncio, onde doutrinas foram escritas a respeito da Escritura e muitos desvios a ponto de não reconhecerem o Senhor da Escritura quando este chegou. Interessante notar que ficamos a mercê de doutrinas sempre que ignoramos o conhecimento da Escritura. Passamos a ler sobre o que intérpretes dela escrevem ao invés de mergulharmos no estudo. Preferimos receber mastigado ao invés de trabalhar o alimento.

Ficamos, então, com uma visão restrita. Isso porque ouvimos a respeito da síntese que autores escrevem e não passamos pelo processo de ler tudo e sintetizarmos por nossa conta. Quando mais de um autor concordam a respeito se torna um novo conjunto de doutrina e poderíamos adotá-los sem questionar. Passaríamos a viver por eles e não pela referência original. Quatrocentos anos significam quase seis gerações de pais passando para filhos, sucessivamente. Torna-se verdade por cultura.

Não ache que não estamos passando por isso hoje. Temos tantas denominações ditas cristãs por causa disto. Por que tanta separação dentro de um mesmo credo? Por que no tempo de Jesus existiam fariseus, saduceus e outros grupos? Por que uns acreditavam na ressurreição (fariseus) e outros não? Por que hoje uns crêem em profecias, dons de cura, visões espirituais e outros até guardar o Sábado? Já estamos há dois mil anos da vinda de Cristo e o tempo permite gerar linhas de interpretação a respeito da Escritura.

No entanto, o que Jesus disse está amparado naquilo que o próprio Deus estabeleceu pelos profetas:

Naquele dia, também sucederá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e a outra metade, até ao mar ocidental; no verão e no inverno, sucederá isto. O Senhor será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o Senhor, e um só será o seu nome.
Zacarias 14:8‭-‬9 ARA
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Cristo nos chama para sermos a Jerusalém celestial, de onde as águas vivas correrão. Ele chama um povo para viver como uma cidade santa, santificada, separada, não mais indivíduos pensando em si. Há um chamado para vivermos em unidade, tendo o Espírito Santo como amálgama, um só povo com o Senhor. No Apocalipse a visão da água saindo do trono e toda a multidão na presença do SENHOR reforçam as palavras de Jesus de que fomos chamados para sermos uma fonte espiritual para todos os povos.

Quem? Os que crêem em Jesus, aquele que é apontado na Escritura, não o das muitas doutrinas, cercado da vontade dos homens. Jesus Cristo é o salvador e Senhor, aquele que entregou-se como sacrifício como estabelecido na lei de Deus escrita pelos profetas. Estava tudo na lei e ele a cumpriu. Agora estamos aguardando o seu retorno como declarado no Novo Testamento, a aliança de Deus com os cristãos. Haverá um só povo de todas as nações, raças e gênero, não uma multiplicidade de religião. Há um só Deus e assim será por todo o sempre.

Falsos deuses cairão, falsos líderes sucumbirão ao poder do Filho de Deus. Cuidemos de ler a Escritura e buscar no Espírito o entendimento desta palavra. Estudemos juntos e busquemos interpretar, mas cada um desenvolva a sua síntese e busque ouvir a dos demais, retendo o que é bom. Cristo se revela na Escritura e não nos desviaremos quando aprendermos dele. Toda seita começa com uma revelação não contida na Escritura. Novos desvios provenientes de um livro extra, pois se ficarmos na Escritura tais doutrinas não param de pé!

Estejamos atentos. Cristo nos habilita para sermos rios de água viva. Não são os ensinos de doutrinas humanas não presentes na Escritura que nos fazem aptos para o Reino de Deus, mas o chamado de Cristo pelo seu sangue! Comecemos agora a ser o corpo de Cristo, sua igreja. Não ignoremos o chamado para sermos cidade. Muitos se isolaram por causa das muitas doutrinas, mas aprendamos a nos reunir em torno da verdade da Escritura. Nela encontraremos o rio e dele partilharemos e seremos saciados!

#3_173 Longe de casa

Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião.
Salmos 137:1 ARA
https://bible.com/bible/1608/psa.137.1.ARA

Duro foi para o povo levado ao cativeiro lembrar-se de casa e não poder fazer nada além de lamentar. O choro da perda é legítimo e nos permite apresentar a nossa dor diante de Deus.

Antes donos da terra agora eram peregrinos no estrangeiro, sem direito de posse e nem perspectiva do amanhã. Quem já foi desterrado como os que hoje estão em campos de refugiados sofrem e lamentam por não poderem continuar as suas vidas que foram deixadas para trás.

Não é assim com o Cristão. Não lamentamos por termos sido conquistados por Cristo e nem por termos saído da terra do pecado. Nossa lamentação não é pelo que perdemos, mas por ainda não termos chegado ao novo lugar onde pertencemos.

Estamos aguardando podermos ir para a Sião celestial e nossos cânticos falam de uma saudade impressa em nossos corações para um lugar que desejamos viver. Nossa melancolia está relacionada à necessidade de estarmos com o nosso mestre e queremos que ele volte logo.

Maranata Jesus, pois estamos longe da nossa verdadeira casa e somos peregrinos nesta terra. Busca-nos Senhor e não nos deixe à mercê de nossos inimigos. Nos guardamos em ti e louvamos o teu nome, Desejamos ardentemente adentrarmos os portões celestiais e sermos reunidos contigo. Rogamos no teu nome!