#3_341 Seremos fiéis na dificuldade?

Determinou-lhes o rei a ração diária, das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia, e que assim fossem mantidos por três anos, ao cabo dos quais assistiriam diante do rei. Entre eles, se achavam, dos filhos de Judá, Daniel, Hananias, Misael e Azarias.
Daniel 1:5‭-‬6 ARA
https://bible.com/pt/bible/1608/dan.1.5-6.ARA

Na continuação dos designios de Deus, Nabucodonosor invade e conquista o Reino do Sul, levando vários cativos do povo para a Babilônia. Aspenaz escolhe dentre eles a Daniel, Hananias, Misael e Azarias para servir ao rei como conselheiros. Passaram três anos aprendendo para poder servir-lhe, destacando-se de todos os demais.

Tornaram-se grandes na Babilônia, incomodando a muitos, mas determinando a vida daqueles que estavam debaixo de suas autoridades. Daniel destacou-se ainda mais, permanecendo com os reis, pois tinha o dom de interpretar sinais e sonhos. Foi semelhante ao ocorrido com José.

Ser levado cativo não é bom. Ser tirado da família, viver longe da terra natal, no meio de culturas estranhas não era algo que um hebreu desejasse. Diferente de hoje em que nossa juventude deseja exatamente viver em outros lugares para absorver novas culturas, um hebreu não desejava se misturar, comer coisas religiosamente impuras e nem deixar de cultuar seu Deus em suas tradições. Mas, naquele momento, nem templo mais havia pois Nabucodonosor o destruira.

Quem eram Daniel, Hananias, Misael e Azarias antes do cativeiro? Não sabemos e nem saberíamos. Não teríamos o testemunho de fidelidade a Deus dados por estes quatro jovens na comida separada, ou nas suas orações diárias, na fornalha ardente, nas interpretações das profecias e do tempo de retorno à terra de seus antepassados. Destacaram-se durante os tempos difíceis e nos deixam um legado de fidelidade e fé em Deus.

Como passamos pelas dificuldades que se nos apresentam? Seremos fiéis quando a morte for a única opção de permanecermos fiéis a Deus? E se nossos entes queridos tiverem de passar pela fornalha juntos? Será que podemos declarar que ainda que Deus não deseje nos salvar não nos dobraremos diante das circunstâncias? Histórias que só acontecem quando os momentos são difíceis e estes determinam a qualidade de nossa fé.

Se entendermos que em Cristo não morreremos para Deus, a realidade muda. Ao enxergarmos que este mundo passará e que em Cristo temos o Reino dos Céus em nossos corações, então viver é Cristo e morrer é lucro (Filipenses 1.21). Aqueles jovens entendiam que sua fidelidade lhes daria a oportunidade de verem a Deus depois de morrerem. Daniel ouviu isto de um anjo confirmando seu entendimento:

Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança.
Daniel 12:13 ARA
https://bible.com/pt/bible/1608/dan.12.13.ARA

Em Mateus 10:22 e 24:13 Jesus usa a mesma forma de expressão. O faz também nas cartas às Igrejas do Apocalipse, onde entendemos que a perseverança da fé decorre do entendimento que temos do valor do testemunho de nossa fé. Aquele que confia não volta atrás, ainda que perca neste mundo, pois está olhando e vivendo para a eternidade. Esta é a sabedoria.

Temos um tesouro no céu e somos peregrinos nesta terra. Cuidemos de servir a Cristo sabendo que fazendo assim enfrentaremos as dificuldades que ele enfrentou. Nossa fidelidade é fruto do Espírito de Deus em nós. Nossa perseverança será tanto maior quanto nosso entendimento do valor da eternidade com Deus. É pensar no longo-prazo espiritual e não no curto-prazo carnal.